Quanto vale essa aposta?

“A gente aposta em ti”. Quando ouço essa frase, e ultimamente está sendo bem repetida, fico ao mesmo tempo lisonjeada e apavorada. Lisonjeada pela confiança, pela força recebida, pela admiração. Isso é incrível. E me sinto útil. Gosto de me sentir útil. Me sinto apavorada pela simples (e até inconsciente) pressão de atender as expectativas dos outros, “e se eu falhar?”. Aqui é um ponto crítico para mim, que sou extremamente crítica comigo e com tendências ao perfeccionismo cruel. Fracassar é uma experiência de quase morte. Já foi pior, bem pior. Luto contra esse monstrinho constantemente, e não é fácil. Agora que estou começando a lidar melhor com ele, o ego entra em cena com essa frase e mina meus esforços.

Sei que a intenção da frase a cima é das melhores, mas meu monstrinho é sacana. E me pego a pensar: “bah, tu já foi melhor hein!”, “tá te esforçando pouco! Que moleza”

Não, não estou sr. Ego! Deixa te explicar num esforço super consciente: o que eu quero agora é aproveitar o momento, o presente, deslizar pelas experiências da forma mais inteira possível, não só mirar o pórtico de chegada e esquecer que o mundo a volta existe. Já estive do outro lado, e sei como é, sei como sou do outro lado. Foi bom aquele tempo, serviu para um propósito, mas agora não quero que seja o único objetivo e que apenas desse jeito é que vale (que apenas o primeiro lugar seja o importante). Importante é tudo, da preparação, passando pelo trajeto e o pós linha de chegada. Inspirações são todos! Do primeiro ao último, alto ou baixo, iniciante ou experiente. Que sejamos nossas inspirações e o trajeto seja o mais importante, não o troféu.

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